domingo, 10 de dezembro de 2017

Entrevista: Resistir e lutar... O bem viver das mulheres é também o bem viver das crianças! Com Lola Aronovich.


Campanha ANA: Lola, nos conte um pouco sobre você, lutas, questões profissionais, enfim o que desejar compartilhar.

Lola Aronovich:
Meu nome é Lola Aronovich, tenho 50 anos, nasci em Buenos Aires, vim para o Brasil com menos de 4 anos, e sou naturalizada brasileira. Morei no Rio, São Paulo, Joinville, um ano em Detroit, e desde 2010 moro em Fortaleza. Do nordeste não quero sair mais. Fiz mestrado e doutorado em Literatura em Língua Inglesa na Universidade Federal de Santa Catarina, e hoje leciono na Universidade Federal do Ceará. Em janeiro de 2008 comecei um blog, o Escreva Lola Escreva, que se tornou um dos maiores blogs feministas do Brasil.

Campanha ANA:  Lola você tem um blog e nele você fala de diversos assuntos. E uma das pautas constantes é sobre a violência contra as mulheres. O seu blog é sua arma contra o feminicídio?

Lola Aronovich: Considero o meu blog, que está prestes a completar dez anos de idade – uma eternidade na internet – um blog pessoal, já que tem até meu nome no título. Mas como sempre fui feminista, desde criança, praticamente tudo que falo e escrevo tem este viés feminista. Portanto, imediatamente o meu blog foi definido como feminista. Lá eu falo de inúmeros assuntos, mas um dos mais frequentes é realmente o combate à violência contra a mulher. O feminicídio é um tema muito sério, que uma parte da mídia ainda comete o equívoco de chamar de “crime passional”. Os dados da ONU são alarmantes: 38% de todas as mulheres mortas no planeta são assassinadas pelo marido,
namorado ou ex-parceiro. Todos nós devemos lutar contra essa epidemia que ocorre em todos os lugares do mundo, não apenas nos países pobres.

Campanha ANA: Ao final deste mês começa mais uma edição dos 16 Dias de Ativismo contra a Violência de Gênero, mais precisamente o 25 de novembro que marca dia Internacional de Não Violência contra as Mulheres. Qual a importância você vê nesse momento, tanto na data quando nos dias de ativismo?

Lola Aronovich: É uma data muito importante, realizada no mundo desde 1991 e, no Brasil, desde 2003. A campanha internacional tem início no dia 25 de novembro -- data que marca o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres -- e vai até 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos. É uma das datas mais importantes para os movimentos feministas, assim como o 8 de março (Dia Internacional da Mulher) e o dia 28 de setembro (Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização do Aborto). São datas em que avaliamos conquistas e avanços, denunciamos retrocessos, e tentamos conscientizar a sociedade da necessidade de mudanças.

Campanha ANA: Você vê algum progresso que minimiza as relações dos sistemas de opressão das mulheres? É possível falar em avanços nos dias de hoje?

Lola Aronovich: Sem dúvida há muitos avanços. O feminismo é forte hoje. Em toda universidade, inclusive as particulares, tidas como mais conservadoras, há no mínimo um coletivo feminista, um coletivo LGBT, um coletivo do movimento negro. E, cada vez mais, alunas criam coletivos em suas escolas. Os conservadores ficam desesperados ao ver meninas de 11, 12 anos tão cheias de iniciativa e com tanta vontade de lutar. O feminismo é tão forte que nós ativistas somos atacadas diariamente. Estamos vivendo tempos sombrios, em que um governo que não foi eleito nas urnas (e, com essa agenda, nunca seria eleito) aproveita o Congresso mais reacionário dos últimos 50 anos para aprovar várias leis que tiram direitos de trabalhadoras e trabalhadores. O fim da Previdência, o fim dos direitos trabalhistas, a falência programada do SUS, o desmantelamento das instituições de educação públicas, são péssimos para todos os brasileiros, mas pior para as mulheres e negros. E os deputados fundamentalistas cristãos estão empenhados em proibir o aborto no Brasil em todos os casos. Imagina uma mulher ou menina ser estuprada e engravidar e ser forçada a parir o filho do estuprador. Ou uma mulher que corre risco de vida ao prosseguir com a gravidez ser obrigada a prosseguir, já que, para os
conservadores, um feto é muito mais importante que uma mulher adulta. É este o pesadelo que estamos vivendo.

Campanha ANA: Diante de todo esse cenário de violência que vivemos, o que podemos fazer ou mesmo enfatizar enquanto indivíduos e instituições para enfrentar mazelas?

Lola Aronovich: Acho que todas as transformações passam pela educação. Não só educação nas escolas e universidades, mas através da mídia, no dia a dia. O mundo é dos jovens. Todo jovem tem que ser idealista, tem que acreditar que tem poder pra mudar.

Campanha ANA: Qual a melhor maneira de uma mulher agir em relação a violências, sejam domésticas, sexuais e ou no campo profissional?

Lola Aronovich: O importante é não se calar. Denunciar a violência nem sempre funciona, mas é necessário. Também é fundamental se unir a outras mulheres, exercer sua sororidade. Uma mulher
pode aprender muito da experiência de outras mulheres.

Campanha ANA:  Em um dos seus posts no blog, você cita a experiência de Nairóbi, no Quênia, onde os meninos são ensinados a respeitar as meninas. Você acredita que essa também possa ser uma aposta brasileira para diminuir a violência de gênero?

Lola Aronovich: Sem dúvida. Esta é uma proposta nossa faz tempo: que questões de gênero sejam discutidas em sala de aula. Aliás, isso está nas diretrizes nacionais muito antes dos reacionários começarem com o fantasma que eles inventaram de “ideologia de gênero”. Não tem como melhorar a sociedade sem melhorar a vida das mulheres nesta sociedade. Quando se melhora a vida das mulheres, melhora-se também a vida das crianças.

Campanha ANA:  Como as organizações que atendem crianças e adolescentes podem contribuir no seu cotidiano contra as violências cometidas às mulheres?

Lola Aronovich: Em primeiro lugar, ouvindo e acreditando nas mulheres. Já existem muitas organizações que fazem isso, e evidentemente devem continuar o bom trabalho. Mas cada um de nós
pode fazer a sua parte, se posicionando todos os dias contra o machismo, o racismo, a homofobia e tantos outros preconceitos.

Campanha ANA:  Por fim, há alguma questão que gostaria de acrescentar?

Lola Aronovich: A internet é uma ferramenta poderosa para todos nós. Em vez de espalhar ódio, como tantos fazem, vamos divulgar conteúdo de quem luta para mudar o mundo. E vamos criar o nosso próprio conteúdo. Sem temer.

Acesse o Boletim   

domingo, 19 de novembro de 2017

Entrevista, O corpo com potência com Cinthia Sarinho.

Campanha Ana: Cínthia nos conte um pouco sobre você: Relações profissionais, de militância, enfim o que achar que é interessante compartilhar.

Cínthia Sarinho: Sou formada em Psicologia com Especialização e Licenciatura, pesquisadora das infâncias, Mestranda em Educação pela UFRPE e Mobilizadora do Canal Futura. Desde o início da minha formação acadêmica tenho uma aproximação com as questões ligadas às infâncias, mas foi enquanto Mobilizadora do Canal Futura, lugar de onde hoje falo, que fiquei ainda mais próxima, a partir do Projeto Crescer sem Violência do qual muito me orgulho de fazer parte. Ao longo dos últimos dez anos, tenho atuado nas causas ligadas aos direitos humanos de crianças e adolescentes, especialmente no que se refere às violências sexuais e trabalho infantil. Foi em 2007 que tive o primeiro contato com a Rede de Combate às Violências Sexuais contra Crianças e Adolescentes em Pernambuco, hoje conhecida como Rede de Enfrentamento. A partir daí, passei a integrar a Rede representando o Canal Futura como organização membro, atualmente participando também de outras redes e fóruns de proteção à infância, a exemplo do FEPETIPE, Fórum DCA PE e Rede Ecpat Brasil (representando a Rede de Enfrentamento PE). Essas experiências e a atuação no Projeto Crescer sem Violência em diferentes estados do país, têm contribuído significativamente na minha formação pessoal, acadêmica e profissional. O compromisso com a causa vai além da relação profissional, é o sentimento de indignação que move e fortalece essa luta, que faz acreditar que é possível sim um mundo mais justo e solidário em que crianças e adolescentes sejam protegidos e tenham os seus direitos garantidos.


 Campanha Ana: O projeto Crescer sem Violência encabeçado pelo Canal Futura vem contribuído com a discussão e criando ferramentas metodológica para enfrentar a violência sexual contra crianças e adolescentes.  E sua nova aposta é a série de vídeos que vai discutir o corpo. Quais as potencias e desafios dessa nova fase do projeto?

Cínthia Sarinho:  Em 2009 o Canal Futura assumiu o desafio de desenvolver ações e projetos para o enfrentamento das violências sexuais contra crianças e adolescentes. Na primeira fase, a série de interprogramas televisivos “Que Exploração é essa?” foi produzida pelo Futura em parceria com a Childhood Brasil de forma colaborativa com mais de 30 organizações de três estados brasileiros que militam pela causa e atuam na acolhida de crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual. Seguindo nessa mesma direção, em 2014 um convênio firmado entre o Canal Futura, a Fundação Vale, Unicef Brasil e Childhood Brasil, em âmbito nacional, deu origem ao projeto “Crescer sem violência”, que igualmente visa disseminar informações de qualidade e metodologias de enfrentamento às diferentes formas de violência sexual contra crianças e adolescentes. Nessa etapa demos ênfase no combate ao abuso sexual de crianças e adolescentes, através da produção da série de programas “Que abuso é esse?” em diálogo com instituições de referência  no assunto, produção de Kits educativos e implementação piloto com formação de profissionais da rede de proteção à criança e ao adolescente em diferente estado e regiões do país. Em 2016, dando continuidade à parceria com Unicef Brasil e Childhood, iniciamos a terceira etapa do projeto com o processo de pesquisa e produção da série “Que Corpo é esse?”, que abordará através de uma linguagem lúdica e criativa as questões relacionadas ao desenvolvimento da sexualidade em suas diferentes fases da vida, além da prevenção contra possíveis doenças sexualmente transmissíveis e violências sexuais. Dessa forma acreditamos que, a partir da ilustração de situações cotidianas vividas por crianças e adolescentes, nas diferentes fases de seu desenvolvimento abordadas na série, contribuiremos para desmistificar tabus e dúvidas. O principal desafio é contribuir efetivamente para autoproteção de crianças e adolescentes e o enfrentamento às violências sexuais, fortalecer a Rede de Proteção dos Direitos da criança e do adolescente e envolver as escolas nessa luta que é de todos nós.

Campanha Ana: Para você, o corpo é mesmo uma potência? Porque? 

Cínthia Sarinho: Compreendemos o corpo como potência, principalmente no que se refere ao desenvolvimento de crianças e adolescentes. É através do corpo que expressamos nossos sentimentos desde a primeira infância, os medos, as dores, as sensações de prazer e alegria, mas é esse mesmo corpo que também é extremamente vulnerável. Em se tratando das questões relacionadas às violências sexuais, sabemos que essas deixam marcas profundas, psicológicas e físicas. E é considerando essa potência que se faz necessário compreender também a necessidade de cuidado e proteção com os corpos das crianças e adolescentes.

Campanha Ana: Como vocês da equipe do Canal Futura identificaram que era necessário uma serie que desmitificasse os tabus em torno do corpo e seu desenvolvimento?  De onde veio essa demanda? 

Cínthia Sarinho:   Essa demanda veio da própria Rede de Proteção e organizações de referência que atuam na temática. Foi a partir das experiências anteriores de implementação das séries “Que Exploração é essa?” e “Que Abuso é esse?” que ficou evidenciado que para atuarmos na prevenção e no enfrentamento às violências sexuais, era necessário trabalhar as questões ligadas ao corpo e sexualidade. Para que uma criança e adolescente possam se proteger de situações de violência, sobre tudo o abuso sexual, é preciso antes de tudo, conhecer o seu próprio corpo, e saber identificar um carinho, diferenciar um toque de afeto do toque abusivo, e isso só é possível com a educação sexual para a autodefesa e autoproteção.
O Futura acredita na construção coletiva do conhecimento e nesse sentido, se constrói no diálogo e parceria com diferentes grupos e organizações sociais. Na produção de conteúdos audiovisuais e projetos desenvolvidos não é diferente, nesse sentido estabelece diferentes estratégias para a produção colaborativa dos conteúdos produzidos. No caso das séries audiovisuais (“Que Exploração é essa?”, “Que Abuso é esse?” e “Que Corpo é esse?”) que integram o Projeto Crescer sem Violência, trilhamos o mesmo caminho, realizamos fóruns temáticos com a participação de organizações e profissionais de referência na temática para uma escuta qualificada das questões relacionadas às violências sexuais e proteção à infância. A série está em fase final de produção e logo estará
disponível como mais uma ferramenta para a promoção de direitos e proteção de crianças e adolescentes.

Campanha Ana: As crianças e adolescentes que conhecem os aspectos físicos do corpo e seu desenvolvimento são menos vulneráveis serem vítimas da violência sexual? 

Cínthia Sarinho: As crianças e adolescentes que conhecem o seu corpo e que tem em casa ou na família um ambiente protetor, que conversam com os pais e responsáveis sobre autoproteção, corpo e sentimentos, que sabem diferenciar um carinho de toques abusivos, crescem sem dúvida, mais seguras e menos vulneráveis à violência sexual. E se por ventura se depararem com alguma situação ameaçadora, saberão se autoproteger e pedir ajuda à alguém de sua confiança. O diálogo é o melhor caminho para que crianças e adolescentes cresçam seguros e protegidos das violências sexuais, garantindo dessa forma o seu desenvolvimento pleno e saudável.

Campanha Ana: Por que essa Educação corporal é tão negligenciada nas organizações de ensino?

Cínthia Sarinho:  Acreditamos que, além dessa não ser uma prioridade nas políticas públicas de educação, o que ocorre é uma dificuldade de abordagem do tema. A falta de formação em educação sexual certamente contribui para que esse seja um tema não abordado frequentemente na escola. Questões relacionadas à sexualidade ainda são um tabu para muitas pessoas, pois culturalmente há uma resistência e muitas vezes insegurança em tratar o tema, pensando que não é assunto para criança e adolescente. É necessário compreender que esse é um tema presente na vida de todas as pessoas desde o nascimento, e que precisa ser tratado com naturalidade, sem tabus e preconceitos. Nesse sentido, família e escola têm um papel fundamental na construção de ambientes seguros e que promovam a autoproteção de crianças e adolescentes.

Campanha Ana: Qual a contribuição as organizações sociais que atuam com crianças e adolescentes podem realizar nessa perspectiva do conhecimento do corpo, da sexualidade e do desenvolvimentos de meninas e meninos?

Cínthia Sarinho:  Historicamente as organizações sociais que atuam na prevenção e no enfrentamento às violências sexuais contra crianças e adolescentes, pautam seu trabalho nos direitos sexuais de crianças e adolescentes, considerando esse como um direito humano para um desenvolvimento da sexualidade saudável e protegida, garantindo assim a proteção de crianças e adolescentes. Além das organizações sociais, diferentes ferramentas a exemplo do Manual da ABRAPIA (2002), o Plano Nacional de Enfrentamento às Violência Sexual (Secretaria Especial de Direitos Humanos – SEDHA, 2000) e o Guia Escolar: Identificação de sinais de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes (Santos & Ippolito, 2011), citam a importância da Educação Sexual como “a melhor forma de prevenção” e importante estratégia a ser desenvolvida na escola e outros espaços educativos. Nesse sentido vale ressaltar a importante contribuição que essas organizações vêm dando na produção de conteúdos, publicações, diferentes materiais pedagógicos e ações educativas voltadas para que crianças e adolescentes conheçam o seu corpo e os limites, para que possam se proteger e defender de situações abusivas e de violência.

Campanha Ana:  Há alguma outra questão que gostaria de reforçar?

Cínthia Sarinho:  Importante reforçar que essa é uma luta de todos nós, que a família e a escola têm um papel fundamental na promoção de direitos de crianças e adolescentes, e segundo o Art.227 da Constituição Federal de 1988 - “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”. Por fim, lembrar que, no Enfrentamento às Violências Sexuais, o melhor caminho é a informação, a prevenção e a promoção da Educação Sexual para que crianças e adolescentes sigam protegidas.



Veja O boletim   na Integra: 


quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Entrevista: Nem Mulher, nem homem ... Pessoas Não Binárias e sua forma de existir no mundo!

Aroma Bandeira é feminista, cineclubista, está sendo educadora social, pretende ser anarquista, é uma pessoa não-binária, bissexual e militante LGBTQ. Para Aroma Bandeira cada lugar desses representa uma construção em mim, não foi me dada a priori. Aroma foi se observando, se investigando, e daí construído os seus lugares que tem como referência. 


Campanha Ana: Você é uma pessoas que se considera não binaria?  E a partir de quando você começou a   se reconhecer nesse lugar?

Aroma Bandeira: Sou uma pessoa não-binária. Talvez eu seja desde sempre, como todas as identidades de gênero. Mas há uma grande diferença: quando eu nasci, as pessoas não disseram isso. Me jogaram numa caixinha de "menina", e parecia somente haver uma outra, de "meninos". Por algum tempo na minha vida eu não pensei muito sobre isso. Eu tinha uma vida de criança em que não era necessário "se afirmar". Uma vida privilegiada, talvez. Andréa, com quem eu vivia, não me obrigava a chama-la de mãe, e eu ainda não chamo, chamo-a pelo nome, e a respeito muito. Ela é mulher cis e militante marxista, e achou engraçado quando a primeira gíria que eu quis aprender foi "cara". -Nossa, cara, a
festa foi super legal. Afinal, havia muito da cultura norte-americana onde todos/as são -man. E mesmo quando eu preferia me vestir com roupas folgadas, bermudões e blusões, eu saia junto aos meus primos meninos nas ruas cantando “Vamos amigos, lute” (Edson Gomes, 1995). Eu tinha 10 anos, era tudo muito possível e, como eu deixava que a minhas tias me colocassem brincos com lacinhos de fita de cetim, ninguém ligava muito para o que eu estava vestindo. Então eu pude ser sem pensar. Mas ai, com a adolescência, vieram as pressões. Não tanto pelas roupas, mas cadê os namoradinhos. As tias não me perguntavam cadê a namoradinha, e eu percebi só aos 22 anos que as queria também uma menina, numa festa, me conduziu pela mão e eu queria que ela nunca mais me largasse. Os namorados, desde os 15 me permiti tê-los. Eu estava num colégio no centro da cidade, aprendi a beber e ir a festas na rua com um cara, um grande amigo, negro e conhecedor de todos os picos e amigos, com quem fiz sexo e parceria. E ele aceitava a minha regra: não havia penetração. Eu não lhe expliquei porque não precisava, ele me respeitava e a gente se amava. Mas com o próximo, aos 17, eu tive de dizer e explicar: penetração era para garotas, e eu não era uma garota. Nesse momento eu alternava entre roupas compradas na parte feminina e masculina das lojas de departamento. Eu usava os cabelos compridos, sem muito volume, mas eu sabia que não era uma garota. Vergonhosamente eu precisava dizer que eu não tinha um pinto. Então eu estava ali, tirando a roupa para garotos e eles não podiam achar meu pinto. Quis explicar pro namorado dos 17 anos que eu realmente não era uma garota, que não importava se meu corpo não parecia, mas eu era um menino, e que não fazia penetração. Ele não me escutou e me estuprou. Eu chorava e tentava empurrá-lo. Ele chorou quando eu lhe gritei que ele tinha mesmo me estuprado. E eu tive muita raiva do choro dele. Depois disso eu estava na faculdade. Aprendi a gostar de penetração, a gozar muito, e a ser militante LGBT. Eu me considerava um gay, mas não me vestia como um cara. E era tudo muito confuso, até pra mim. Afirmava veementemente que era m garoto, nem eu acreditava direito nisso. Eu nem sabia explicar porque insistia sempre nisso, mas era importante fazê-lo, porque eu ficava muito triste quando permitia que me chamassem de garota. Nem mesmo de namorada. Me apresentava pelo meu nome, eu insistia e brigava. E foi nos estudos e pesquisas sobre pessoas trans, procurando mais depoimentos de caras trans, que eu encontrei o termo pessoas não-binárias. E tudo se encaixou. Olaf vai te dizer um pouco aqui, se quiseres escutar: 

C.Ana: O que é binário de gênero?

Aroma: Binário de gênero é um termo para os dois gêneros normatizados da sociedade ocidental cristã. Quiseram classificar todas as pessoas entre homem e mulher. Dizer que esta normatização tem relação com as divisões sexuais é completamente discutível (e inaceitável, na minha opinião): primeiro porque as identidades de gênero são, em parte, construídas como cada pessoa vê seu corpo biológico e psicológico, noutra parte, na relação entre o que a sociedade lhe oferece como parâmetro e o que ela impulsiona e tenciona de volta. Segundo porque a própria divisão entre dois sexos não é condizente com a totalidade das realidades dos seres, que estão além de feminino e masculino somente (quase ninguém fala das pessoas intersexuais, ou seja, que seus corpos possuem características ditas de ambos os sexos).
C.Ana: Mas não se nasce com um gênero?

Aroma: Então, não, as pessoas não nascem com um gênero. Elas se identificam ou não com o gênero que lhes é atribuído, de acordo com as normatizações vigentes na sociedade. E o melhor seria que as famílias aguardassem cada criança, em seu tempo, dizer-lhes quem ela é. Muitas sociedades consideram os gêneros não-binários como válidos. Outras, como a nossa, vem ignorando sistematicamente esta possibilidade. Dizemos do CIStema, ou seja, desta sociedade cisnormativa que quer excluir pessoas trans. E isso é bastante violento, não ter sua identidade reconhecida e ser classificada como louca, transtornada.

C.Ana: Qual é a diferença entre uma identidade não-binária e uma identidade binária?

Aroma: A diferença entre ter uma identidade binária e ter uma identidade não-binária é justamente esta: ser reconhecida socialmente. Ter o direito de se identificar sem ser taxada de anormal ou louca, de “querer aparecer”, de inventar histórias. Poder se reconhecer na outra, partilhar saberes, ter e receber empatia. O sistema que vivemos hoje é excludente. Ele elege categorias privilegiadas, que tem local de poder nas hierarquias, e joga todo o resto para a margem, na periferia, e isso acontece também com as categorias de gênero. Não quero ser representada na televisão a partir do olhar de homem cis heterossexual branco que ganha recursos e explora pessoas na fabricação de mentiras que chama de novela. Quero tecer nossos próprios espaços, nossos canais de comunicação, de trocas afetivas e afetadas.

C.Ana: Isso quer dizer que sua aparência não é feminina nem masculina?

Aroma: Quanto as vivências e aparências, cada pessoa não-binária tem (ou constrói) a sua, da mesma forma que qualquer pessoa binária. Quando o feminismo pauta que as mulheres têm muitas vocações e formas – que não são e não querem ser todas padronizadas no ideal romântico de mulher cis branca magra, por exemplo; isso também cabe às pessoas não-binárias. A maioria das pessoas não-binárias que conheço transitam entre uma aparência feminina e masculina e, para isso, usam tanto roupas masculinas quanto femininas. Mas não é verdade que todas tem passabilidade fluida. Por isso, a aparência, a escolha das roupas é uma preocupação quase sempre jogada às pessoas trans. Creio que é muito desleal dispor apenas dos padrões feminino e masculino, e jogar a culpa de não parecer suficiente nas pessoas não-binárias. Quando a maioria da população nos vê nas ruas, querem nos encaixar nas caixinhas predeterminadas de gênero, às quais não pertencemos e muitas vezes nem escolhemos. 

Veja  também o boletim  da campanha Ana com essa temática 



segunda-feira, 31 de julho de 2017

Entrevista: Combater os sistemas opressores e o dia 25 de julho. Com Áurea Carolina

Fotos de Patrick Arley

Conversamos com Áurea Carolina de codinome Dejavu. Mulher negra, nascida em Tucuruí (PA), mas cresceu e se formou em Belo Horizonte. Sua trajetória de mobilização social começou nas ruas, em diálogo com o movimento hip hop e com diferentes iniciativas populares de promoção dos direitos humanos. É Cientista social, especialista em Gênero e Igualdade e mestre em Ciência Política. Foi subsecretária de Políticas para as Mulheres de Minas Gerais e é uma das fundadoras do Fórum das Juventudes da Grande BH. Atualmente, participa do movimento Muitas pela Cidade que Queremos e atualmente vereadora pelo Psol.
Na nossa conversa, ela conta um pouco de suas lutas e trajetória, e aponta a importância do dia 25 de julho. Confira abaixo.

Campanha ANA: Quem é Áurea Dejavu?

Áurea Carolina:  Áurea Dejavu era meu codinome quando eu cantava rap no grupo Dejavu, que integrei no início dos anos 2000, grupo que já existia. Eu entrei na segunda formação. Foi um grupo muito importante para minha atuação na cultura hip hop como artista ativista. Então esse era meu sobrenome como forma de identificação com essa cultura.

Campanha ANA: Quando foi que você se percebeu militante? E desde quando se tornou uma vivência efetiva na sua trajetória?

Áurea Carolina: Eu me reconheci como ativista política a partir da minha vivencia na cultura Hip-Hop... foi colando na rua nos evento e conhecendo parceiros do movimento Hip-Hop que eu me dei conta de uma dimensão maior de luta política. A arte que fazíamos de expressão periférica, tinha também um apelo de transformação social. E isso se consolidou na minha trajetória no momento em que me engajei no coletivo Hip-Hop chama. Eu cantava Rap no grupo Dejavu e pouco tempo depois eu entrei pro coletivo Hip-Hop chama que foi um espaço de discussão sobre direitos juvenis sobre gênero e sexual e redução de danos, e ali eu tive uma formação muito mais profunda, mais libertaria... Era um coletivo auto organizado de jovens da cultura hip-hop da região metropolitana de Belo Horizonte. E a gente tratava esses temas gênero, sexualidade e drogas numa perspectiva muito avançada. Discutíamos drogas a partir da ideia da redução de danos isso no ano 2000 e nos colocávamos de uma maneira muito avançada mesmo. E essa atuação foi abrindo caminhos para eu me engajar em outras lutas juvenis, movimento negro, feminista e pelo direito a cidade de forma ampla.

Campanha ANA: Áurea você foi a vereadora mais votada nas eleições de Belo Horizonte, no ano passado, com 17,4 mil votos. Você acredita que esse é um pedido da população de novo modo de fazer política e que leve em consideração as demandas sociais?

Áurea Carolina: A minha eleição como a veadora mais votada de Belo Horizonte em 2016 é um
marco sem dúvida, uma demonstração de força do nosso campo popular de resistência dos movimentos sociais... E assim um espaço a ser expandido, de correspondência institucional destas lutas em relação a nossa atuação de ponta, nos territórios com as diversas causas democráticas. Hoje existe uma distorção completa em relação ao peso populacional das maiorias sociais que são mulheres negras, jovens lgbts e trabalhadoras, somadas nós somos a grande parte desta sociedade. No entanto, nas instituições nós somos transformados em minoria políticas, quer dizer que, as verdadeiras minorias sociais que são grupos privilegiados, estão controlando as instituições como se fossem maioria, mas na realidade não são. Elas tem maioria pela lógica da regra da maioria dessa democracia formal, liberal. Mas buscando uma democracia real, intensa e de participação popular, esses grupos que formam a grande parte da sociedade precisam de ter uma entrada mais condizente como seu peso populacional. Vejo que minha eleição é uma sinalização desta demanda social. Além disso é um enfrentamento a onda de ataques conservadores e de ódio contra as conquista que nós a duras penas tivemos nos últimos anos em termos de direitos sociais e consolidação de algumas políticas públicas, mesmo com todas as dificuldades, então é um momento difícil no país e localmente isso também se expressa e a minha eleição é um ponto fora da curva, apesar de toda a nossa mobilização nos ainda não encontramos uma força real de revirada desse jogo , vamos precisar ainda construir mais capacidade política, de influência decisória nas eleições e nas instituições para promover justiça social.

Campanha ANA: A “Gabinetona” surge nessa perspectiva de inovação de fazer política no legislativo?

Áurea Carolina: A gabinetona é sim um espaço de inovação, de invenção política no legislativo de belo horizonte. O território de trabalho do nossos mandato coletivo que eu construo junto com a vereadora Cida Falabella e a Bella Gonçalves. Somos cerca de 40 pessoas na equipe da Gabinetona, trata-se um mantado integrado que nós construímos para muito além desse espaço de trabalho na Câmara. A Gabinetona é uma equipe disponibilizado integralmente para operacionalizar o mandato coletivo, popular e periférico que nós conquistamos. O mandato está nas comunidades, nos movimento sociais, com as diversas lutas em construção permanente. Temos criado espaço de participação como grupos fortalecedores temáticos, que discutem as diretrizes políticas do mandato. Como por exemplo um grupo que discute sobre a luta das trabalhadores nas ruas, camelôs e ambulantes, que tem sido fundamental para orientar nossa atuação contra a política higienista de retidas de camelôs e ambulantes do hiper centro de Belo Horizonte. Temos também um grupo fortalecedor das causas indígenas que tem sido muito importante para discussão da comunidade indígena e a possibilidade da criação de um centro de referência da população indígena, entre outros grupos fortalecedores nessa linha temática. São sempre espaço aberto a qualquer pessoa interessada e sobre tudo as pessoas que constroem efetivamente essas lutas no cotidiano. A Gabinetona então é esse lugar de busca de uma democracia horizontal em que toda equipe participe de igual para igual, onde sejamos solidárias e façamos a parti de uma convivência democrática e respeito ao nosso vínculos, que a gente cuide disso e que façamos uma política que desafie essa lógica de competição e opressão que geralmente acontecem nos espaços de poder.

Campanha ANA: Qual a importância do dia 25 de julho e quais as reivindicações o dia internacional traz para agenda pública?

Áurea Carolina: 
O dia 25 de julho que celebra o reconhecimento das mulheres Afrolatinas e Caribenha e no Brasil especificamente trazendo a memória Tereza da Benguela, uma líder quilombola... É um momento de afirmação da nossa resistência cotidiana e de denuncia das violência que sofremos a séculos. Por esse estado genocida colonial que produz o tempo inteiro desigualdade e exclusão de nos mulheres negras, das mulheres latinas da ´possibilidade da cidadania plena. É muito importante trazer essa data como símbolo de resistência e denúncia.

Campanha ANA: A violência nas sociedades afetadas pelo racismo patriarcal heteronormativo atinge de maneira desproporcional as populações negras, com forte marca do sexismo e das fobias LGBT. Diante de todo esse cenário, o que podemos fazer ou mesmo enfatizar enquanto indivíduos e instituições para enfrentar mazelas?

Áurea Carolina: Nós vivemos tempos muito difíceis de acirramentos de condutadas e discursos de ódio, e isso se volta sobre tudo contra as mulheres, a população negra, lgbt, indígenas e as juventude periféricas... É preciso então buscar e construir outras formas de conivências. Investir muito em
processo de educação popular, de formação coletiva e de mobilização nos territórios para que a gente numa perspectiva de poder popular se coloque em contra posição a mídia tradicional antidemocrática, as instituições políticas que não nos contemplam, ao próprio mercado. Ao capitalista que é um verto permanente de opressão. É preciso discutir na cultura, na educação como ter uma sociedade mais inclusiva. Não é à toa que esses grupos conservadores são contrários as discussão de gênero, sexualidade e igualdade racial por exemplo. Eles sabem que quando uma pessoas começa a refletir criticamente, ela passa a contestar o poder de grupos e instituições que querem controlar a nossa vida sexual, a nossa forma de existência. Então esses grupos querem minar essas possibilidades da reflexão crítica na origem. Querem que crianças e adolescentes não tenham acesso a esses debate, porque essa é uma maneira de continuar exercendo o poder de dominação sobre a população em geral. Por isso precisamos de muita atenção, cuidar muito dos nosso processo de lutas e desenvolver ações cada vez mais abrangentes com os coletivos e as comunidades na ponta mesmo. Precisamos ocupar as instituições de poder e ao mesmo tempo desenvolver nossa atuação autônoma com as lutas sociais. Sem esse processo autônomo de pensamento crítico e de invenção de novas práticas, a gente não vai ter sucesso na ocupação institucional, até porque a ocupação institucional não é um fim em si, mas um meio para fortalecer as nossa lutas e conquistar direitos.

Campanha ANA: Como as organizações que atendem crianças e adolescentes podem contribuir com as pautas das mulheres negras, latinas e caribenhas?

Áurea Carolina: Penso que as organizações que atua e defendem com prioridade os direitos de meninas e meninos, devem desenvolver as temáticas de gênero e de raça de forma interseccional, no enfrentamento as desigualdades, por que as crianças e adolescentes são corporificados. Existem numa sociedade que é estruturada a partir das desigualdades de raça e de gênero. Evidentemente que tudo isso é atravessado desigualdades socioeconômicas... então como é que poderemos avançar na inclusão de crianças e adolescentes na sua proteção integral sem trazer essas condicionantes da realidade social Brasileira de gênero e raça. Nós vivemos num país que se fundou a partir do racismos, da exploração econômica e do estrupo e da violência contra as mulheres. Poder trabalhar em processo educativos em processo de mobilização com crianças e adolescentes nessa perspectiva é uma contribuição fundamental para questionamento dessas desigualdades, e também para formação de gerações mais comprometidas com a democracia, com o respeito as todas as pessoas e também para que sejam crianças mais felizes e mais livres... Que possam vivenciar a sua sexualidade e identidade de gênero com muita tranquilidade, de forma saudável sem sofrem cerceamento. Então eu penso que deve ser um compromisso adotado pelas organizações de trazer esse debate como um eixo fundamental de ação política.





sábado, 8 de julho de 2017

Entrevistas: Pelo orgulho de sermos o que somos!

Para refletirmos sobre o orgulho e as questões que envolvem as pessoas LGBTI   conversamos com Priscila Tomas. Mineira de Belo Horizonte com seus 26 aninhos, ela desde de sua adolescência vem militando pelos direitos humanos. Contundente e carismática, Priscila é formada em pedagogia, atua como educadora social e carrega consigo muitos adjetivos:  É Mulher, Jovem, Negra, Periférica, Lésbica, Atriz e se reconhece como muito mais que isso.  Veja abaixo nossa conversa.

Campanha ANA: Priscila, você é uma militante aguerrida. Desde quando as pautas em que você atua seja como militante ou profissional se tornou uma vivência efetiva na sua trajetória?  E o que te motivou a levantar essas bandeiras? 

Priscila Tomas: Aos 14 anos de idade, após participar de vários processos de discussão e formação nos movimentos sociais e organizações, comecei a me identificar como sujeito de direitos e deves.  Desde desta época atuo na militância contra a violência sexual contra crianças e adolescentes. E atuar e defender os Direitos Humanos pelos vários espaços que participo e relações que vou tecendo seja elas de relações afetivas com amigos, família, comunidade ou nas relações profissionais e no próprio movimento vejo que essa militância não se separa, faz parte de mim.   É por isso que por onde vou carrego essas bandeiras não só pelo enfrentamento a violência sexual, como também contra o genocídio da juventude negra, o machismo e a lgbtfobia.  Até por que me reconheço em várias destas lutas e por isso afirmo todas as questões que me fazem ser quem eu sou  como me descrevi na pergunta anterior.

Campanha ANA: Na sua concepção há motivos para se orgulhar de identidades lgbts no Brasil? Quais fatores facilitam e quais dificultam? 

Priscila Tomas: No nosso país, temos tido muita dificuldades de se orgulhar, várias pesquisa mostram como pessoas LGBTI sofrem vários tipos de violências física, psicológicas ou são assassinadas por demostrarem seu amor. Contudo acredito que por mais difícil que seja, é possível se
orgulhar.  Há alguns fatores como algumas conquista de direitos que nossa comunidade LGBTI tem
conseguido, claro que ainda há muitas lutas para que termos acessos que ainda são privilégios das pessoas heterossexuais.  E o movimento como qualquer outro de defesa dos direitos enfrentam muitas questões, mas tem se fortalecido a cada ano, e isso ajuda a crescer e a criar uma cultura de respeito e também de orgulho.   As dificuldades   para se orgulhar é sistêmica, tem haver com a educação moralista que recebemos desde muito cedo... Que tem seus pilares no patriarcado e na heteronormatividade que há anos vem alimentando as desigualdades e os padrões sociais.

Campanha ANA: No Brasil segundo levantamento do Movimento Gay da Bahia é um pais onde mais se mata pessoas lgbt.   O que está por de trás de tanta lgbtfobia?  

Priscila Tomas: A nossa sociedade não foi educada a conviver com a homossexualidade dentro da sua amplitude. Perpetuamos em nossas crianças que existem apenas homens e mulheres, ou seja, tudo o que for contrário a isso é anormal. E isso cria um cenário de permissividades.  É aí nesse cenário onde a LGBTFOBIA encontra um terreno fértil, afinal somos Educados a rejeitar e a eliminar tudo que consideramos anormal é isso que está por trás de todos os assassinados das pessoas LGBT.  Falta amor, falta respeito, falta reconhecer que somos diversos na nossa forma de existir. 

Campanha ANA:  Na sua concepção, onde devem ser feitas intervenções para erradicar a lgbtfobia?

Priscila Tomas: São muitos os lugares onde deve ser feito as intervenções, na educação seja ela na escola, seja ela dentro das várias configurações  familiares; Nas religiões sobretudo a católica e protestante que pregam um modo  de se relacionar  e de amar heteronormativo;   nas corporações policias,  nos docentes, enfim  são  muitos  lugares  que  precisam parar de enxergar as pessoas LGBTIs como minorias e começar a vê-las como uma grande massa que atua, consome, pensa, trabalha e que não é diferente de nenhum outro cidadão.    

Campanha ANA: Você acha que crianças e adolescentes tem tido o direito de exercer orgulhosamente suas identidades sexuais e de gênero nas organizações que atendem a crianças e adolescentes?  Por que isso acontece?

Priscila Tomas: Penso que nem tanto.  A grade maioria das organizações sociais que atendem as crianças e adolescentes, tratam tudo num balaio só.   Ou seja, tratam todas as questões que envolvem a sexualidade   vinculadas a identidade de gênero. Os processos formativos que muitas adotam no seus atendimento acabam que reforça a educação para meninas e para meninos, reforçando assim   uma cultura de preconceito e discriminação.  Poucas organizações estão de fato preocupadas ou preparadas para mudar esse paradigma.   E isso acontece porque muitas vezes as questões relacionadas ao desenvolvimento da sexualidade, é tratada como tabu e qualquer criança ou adolescente que apresenta um comportamento diferente do que se espera dela, é vista como algo errado.  E algumas organizações superprotegem meninas e meninos que tem comportamentos que não são heterossexuais, reforçando nas entre linhas que como esse comportamento é diferente da norma, está sujeito a violências das outras e dos outros colegas, e acabam que não discute ou empodera essas crianças e adolescentes para se sentirem orgulhosas para ser e se comporta da forma que se sentem bem.  E quando essa discussão é cerceada, de alguma forma pode afetar radicalmente a forma com que as nossas crianças e adolescentes enxergarão o mundo no presente e no futuro e as pessoas que nele vivem.

Campanha ANA: Como podemos avançar para um maior reconhecimento das identidades lgbts na instituições brasileiras?  


Priscila Tomas:  Avanços serão dados quando de fato a discussão sincera sobre sexualidade, identidades e LGTFOBIA for matéria obrigatória nos currículos escolares. Acredito que a educação é um caminho seja elas nas instituições formais, seja em outros processos educacionais. Outro caminho é que as pessoas LGBTIs sejam fortalecidas para assumir suas identidades sexuais e de gênero nos ambientes que frequentam. A indignação também é um outro caminho, pois é preciso que as pessoas de diferentes gerações, orientações sexuais e religiosidades sintam-se indignadas quando ocorrer uma violência contra pessoas LGBTIs seja qual for a forma. Aí sim penso que estaremos avançado.  


Aproveitem para acessar o boletim completo:




terça-feira, 30 de maio de 2017

Combate a homofobia e exploração sexual de meninas e meninos uma discussão necessária.

Para entender a co relação entre violência sexual e homofobia conversamos no mês de Maio com Danielle Sanchez Mutaledi. Ela tem 30 anos e desde de adolescente acompanha e contribui com essas discussões. Mulher, negra, lésbica e candomblecista, Danielle é assistente social de formação e educadora popular. Ao longo de sua militância pelos direitos humanos ela afirma que todas as questões estão interligadas, pois somos sujeitos complexos com direitos indivisíveis, que não se separam. Ela foi ponto focal do Comitê Nacional de enfrentamento a violência sexual do DF e atualmente está como Secretária executiva do Conselho do Negro do Distrito Federal. Sua luta é buscar fazer essas inter conexões, conforme ela afirma, tudo está interligado e todas as questões interferem diretamente no desenvolvimento da criança e do adolescente. Confira baixo nossa conversa. 
Campanha ANA: Danielle, quando você disse para si mesmo, tenho que lutar por essas causas! Qual foi o clique que te despertou para essa defesa?

Danielle Sanchez Mutaledi: Como eu disse eu sempre trabalhei com a área da infância, em especial com a população em situação de rua. E a gente sempre recebia denuncia das meninas sobre violência sexual, por parte do poder público, em especial praticada pela polícia. Começamos a fazer o trabalho para preparar essas meninas para futuramente fazer essa denúncia, entendendo que elas estavam em situação de violência e de vulnerabilidade muito maior por estarem na rua e sempre se depararem com os agressores. Daí começamos a desenvolver alguns projetos para trabalhar essas questões. Foi quando me apaixonei pela temática e comecei a discutir. E eu sendo mulher vi que nós sofremos muito mais com o processo de violência. Então começamos enquanto educadores a perceber também os processos de violências que tínhamos vivenciado ao longo da vida. Foi por rever meus processos assim como outros adolescentes e educadores que colaboravam com as atividades que percebi que essa também era minha causa e estou aí até hoje.

Campanha ANA: No ano de 2016 foi divulgado o balanço do disque direitos humanos nacional, onde pela primeira vez em muitos anos do serviço aparece na categoria de violências sexual contra crianças e adolescentes a questão da orientação sexual. Como você avalia isso?

Danielle Sanchez Mutaledi: Avalio como muita positividade a questão dados da orientação sexual,
entendo que várias crianças e adolescentes são vítimas de violências por sua orientação. Nesse processo de trabalhar com a questão da violência sexual, percebemos que tinha muitas denuncia relacionado os estrupo corretivos. No caso das meninas lésbicas as pessoas pensam que o fato de cometer o estrupo vão fazer que elas se tornem mulheres, como se ser lésbica a pessoas deixasse de ser mulher. E no caso o dos meninos, o estupro no sentido de “se você quer ser viado”, que é o termo que eles utilizam, ou vou te ensinar a ser e violam essas crianças e a adolescentes. Então quando se apresentam esses dados que traz a questão da orientação sexual, levanta-se essa preocupação de que meninas e meninos LGBTI no brasil hoje, tem mais probabilidade de sofrem violências, e precisamos trabalhar isso. E só vamos conseguir trabalhar se tivermos dados e diagnósticos que favoreça o levantamento destas situações. Por tanto trazer esses dados da orientação nas denúncias é fundamental para podermos evidenciar e trabalhar as questões da violência sexual.

Campanha ANA: Para você, qual a relação entre homofobia e a exploração sexual de crianças e adolescente?

Danielle Sanchez Mutaledi: Tem muito haver. Principalmente no sentido de que as mulheres trans no processo de exploração sexual elas se colocam muito mais vulneráveis. Isso também tem haver com a idealização do machismo que se dá também nessa perspectiva. Porque as pessoas se questionam como uma pessoa nasce em um corpo masculino e submete a se transforma num corpo feminino. Precisamos pensar também nessa interlocução entre homofobia e a violência sexual. Quando a gente pega por exemplo o casos de violência que estão relacionados as pessoas lgbt, o processo de exploração e violação é muito maior. Essa pessoas são submetidas a várias situações vexatória e humilhantes... Inclusive com as mulheres não trans. E com as mulheres trans essa situação se agrava muito mais. Se não conseguimos discutir a homofobia de forma clara, não vamos discutir de fato as nuances da exploração sexual. Até porque muitos entendem que as meninas e pessoas trans estão nessa situação por que querem. Mas na verdade, essa é a única alternativa que se apresenta, vinda de um processo de muita exclusão de todos os ambientes. E elas acabam se submetendo a essa situações muito degradante do que as pessoas heterossexuais ou que são binárias.

Campanha ANA: Você pontou anteriormente que há no imaginário que elas e eles estão em situação
de exploração sexual porque querem.... Você acredita que há um tratamento diferenciado no atendimento a crianças e adolescentes lgbti pela rede de proteção da infância? E si sim quais e por que dessas dificuldades?

Danielle Sanchez Mutaledi: Acredito que sim. Nós no Brasil vivemos um estado laico, mas muitos tem uma visão muito religiosa. E quando atendemos pessoas LGBTI você consegue perceber que em muitas instituições esse atendimento é diferenciado, por conta da orientação sexual. E é isso que temos que mudar. Pois a homofobia está nisso também. Se você não consegue atender as pessoas a partir das diretrizes que são passadas pelos conselhos de classe quanto pela questão ética mesmo do atendimento, isso gera uma situação muito complicada... Essas adolescentes no caso das trans, ou trans femininas, quando precisam ir para acolhimento institucional para acolhimento masculinos, pois os profissionais levam em consideração não a identidade de gênero e sim o sexo biológico. E isso é uma problemática. Nos caso dos meninos trans passam pelo mesmo problema, que levam para acolhimento feminino, e na cabeça desses profissionais eles estão protegendo essas meninas e meninos de qualquer situação de violência. Mas na verdade essa questão tem que ser trabalhada nas unidades de atendimento, pois você não precisa violar uma adolescente trans levando para um acolhimento institucional feminino porque acredita que está protegendo. Ou seja, nessa perspectiva de proteção a gente acaba violando o direitos dessa crianças e adolescentes.

Campanha ANA: Para você quais mediadas podem ser adotadas para que possa ser minimizadas esse tratamento diferenciado.

Danielle Sanchez Mutaledi: Precisamos é trabalhar na perspectiva mais humanista mesmo. Tirar a religião. Atender as crianças e adolescentes com suas especificidades, entendo que o brasil é diverso. Não adianta não vamos esconder a transsexualidade a lésbianidade, essas questões estão postas e cada uma e cada um vivencia sua sexualidade da maneira que quiser. O que a gente precisa é falar para nosso filhos, sobrinhos, amigos... Que Crianças e adolescentes tem sexualidade e que podem vivenciar de qualquer maneira, desde que seja de maneira saudável e respeitando a outra, o outro. E trabalhando nessa perspectiva que as pessoas são diversas, e a orientação sexual não vai fazer dela uma pessoa pior ou melhor que as outras. Não vai definir o caráter dessa pessoa e essa vivencia tem que ser respeitosa. A heterossexualidade precisa deixar de a normativa e compulsória. E toda vez que falamos de orientação sexual, muitos acreditam que estão fazendo apologia, mas o que precisa ser compreendido é a dimensão do respeito e do direito.

Campanha ANA: Há mais alguma questão que queria acrescentar?  

Danielle Sanchez Mutaledi:
Para finalizar quero ressalta sobre a importância da denúncia, e no caso de meninas e meninos LGBTi dizer dessa condição, pois precisamos construir dados para avançar na construção das políticas e instrumentalizar os nosso atendimento. Tanto no disque 100 como no conselho tutelar colocar as questões da orientação sexual e identidade de gênero, para que possamos trabalhar nesse panorama e conseguir efetivar a garantia dos diretos de crianças e adolescentes para todas e todos independe de identidade de gênero e religião.





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terça-feira, 2 de maio de 2017

Entrevista: Por uma educação que contemplem as Diversidades


Nesse mês de Abril  Campanha ANA entrevistou Toni Reis.  Com 52 anos ele vivi na região sul do país  com seu companheiro David, são casados há 27 anos. Com eles,  vivem também seus 2 filhos 16 e 11 anos  e sua filha com 14 anos de idade. Toni como Carinhosamente  é chamado por amigos de profissão e  militância, é  professor por profissão, formado em letras e pedagogia, especialista em sexualidade humana e dinâmica dos grupos, mestre em filosofia e doutor e pós-doutor em educação, com ênfase em questões LGBTI na educação. Militante no movimento LGBTI desde meados dos anos 1980. Foi  ele um dos fundadores do Grupo Dignidade em 1992 e foi também o primeiro presidente da ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, quando fundada em 1995. Foi presidente por mais dois mandatos e atualmente é Secretário de Educação. Também é presidente da Aliança Nacional LGBTI e  membro titular do Fórum Nacional de Educação, na área de diversidade.
foi entre uma atividade e outra que Toni gentilmente nos cedeu essa entrevista,  com um tom mais de conversa.  Pois para muitxs de nós é  um tanto necessário refletir sobre  uma educação que contemplem as diversidades

Campanha Ana: Toni, como foi que você começou sua militância pelas questões LGBT? Qual foi o fato que te deu o clique?

Toni Reis: Nasci e me criei no interior do estado do Paraná. Eu sofri muito dos 14 aos 21 anos. Tive homofobia internalizada muito grande, pela pressão da minha família, da minha religião, na minha escola, também pela minha ignorância. Eu mesmo procurei ajuda da família, procurei várias de forma me “curar” (medicina, religião, simpatias e tudo mais).
Tive a possibilidade de vir morar em Curitiba. Me formei em Letras pela Universidade Federal do Paraná, participei do movimento estudantil, de partido político. Tive contato com militantes LGBTI desde 1984 com o Prof. Dr. Luiz Mott e o Dr. João Antonio Mascarenhas, entre outros, que me ensinaram muito.
Tive a possibilidade de morar na Europa entre 1989 e 1991. Conheci o movimento LGBTI de lá, que na época estava bem mais avançado que o brasileiro. Com as leituras e vivências fora da minha cultura me despertei para minha autonomia e para minha cidadania e criei a consciência de quem não
Toni em Família 
luta por direitos não os terá, infelizmente. Assim que voltei da Europa, fundamos o Grupo Dignidade. O “clique” foi o sofrimento na adolescência e o desejo de lutar para que outras pessoas não passassem pelo que eu passei. Eu tenho um forte senso de indignação diante de injustiças e discriminações e isso me impulsiona na minha militância.

Campanha Ana:  A Pesquisa Nacional sobre o Ambiente Educacional no Brasil realizada em 2015 e divulgada no ano passado, revelou que o ambiente escolar não e nada seguro para aqueles que não estão na lógica heteronormativa. Quais são os riscos e vulnerabilidade que adolescentes lgbt sofrem no ambiente escola?

Toni Reis: Os principais achados da pesquisa foram que 73% dos/das estudantes LGBTI brasileiros/as sofrem bullying LGBTIfóbico nas escolas, 60% se sentem inseguros/as na sala de aula e 37% já sofreram violência física nas escolas. A pesquisa ficou muito rica porque foi autorrespondida (os/as respondentes não foram entrevistados/as, o que diminuiu a inibição de se expressar) e também pela possibilidade de responder livremente uma pergunta aberta sobre as experiências no ambiente escolar enquanto estudantes LGBTI. Foram diversos os relatos de faltar à escola por não aguentar mais ser objeto de chacota. A pesquisa mostrou o quanto a insegurança e o isolamento de estudantes LGBTI na escola afeta negativamente o rendimento acadêmico. Houve fortes relatos de humilhação das pessoas trans e também foi expressado várias vezes o estado de depressão e o desejo de suicídio.http://www.grupodignidade.org.br/projetos/acao-na-educacao/

Campanha Ana: Na sua avaliação, quais são as medidas necessárias para tornar a convivência mais harmônica, e permanecia dos adolescentes lgbts, já que muitos deles em função dessa violências acabam por abandonar a escola?

Toni Reis: Primeiro, temos que ter políticas públicas, tanto no âmbito da legislação, quanto nas práticas pedagógicas, para o respeito à diversidade sexual, de preferência na área da educação em direitos humanos. Segundo, o respeito à diversidade sexual deve constar especificamente nos marcos normativos, com a BNCC, e sobretudo nos regimentos escolares. Recentemente o Estado do Paraná deu um belo exemplo de respeito à orientação sexual e à identidade de gênero, recomendando que os regimentos de cada Escola/ Colégio contemplem a Diversidade Sexual, no documento da Secretaria de Educação intitulado “Fundamentação legal para a elaboração do regimento escolar da educação básica” http://www.educacao.pr.gov.br/arquivos/File/Manuais/manual_regimento2017.pdf

Campanha Ana: Na versão final do documento da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) divulgada no início do mês de Abril, foram retirados trechos que diziam especificamente que os estudantes teriam que respeitar a orientação sexual dos demais alunos e a palavra "gênero" também foi suprimida de alguns trechos. Você acredita que essas mudanças reforça o caminho da não diversidade na escola? E Quais outras lacunas essas mudanças abrem na educação brasileira?

Toni Reis: Precisamos participar das cinco audiências públicas regionais sobre a BNCC, a serem realizadas entre junho e setembro deste ano  ( clique  aqui para ver  o calendário das audiências)  
Vários/as integrantes do Conselho Nacional de Educação estão sensibilizados/as sobre a importância da referência específica à orientação sexual e identidade de gênero na BNCC e precisamos unir todos os esforços com todas as parcerias possíveis para que esses temas sejam incluídos novamente na Base.

Campanha Ana: Em relação a essa educação que não leva em conta as questões de gênero e orientação sexual, você acredita que a não reflexão sobre pode abrir margem para que ocorra violência sexual a adolescente LGBTI?

Toni Reis: Sim, com certeza. Temos que rememorar a Constituição Federal, artigos 205 e 206 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, quando estabelecem três 3 grandes pilares da educação: desenvolvimento humano, educação para a cidadania e educação para trabalho. Os dois primeiros pilares ficam prejudicados se a educação não trabalhar a questão do respeito às subjetividades dos/das
estudantes.

Campanha Ana: Quais desafios ou tarefas o movimento que luta por direitos de crianças e adolescentes tem diante dessas mudanças nos Parâmetros Curriculares Nacional?

Toni Reis: A BNCC vem substituir os PNCs. Primeiro os movimentos devem participar e incidir politicamente no Executivo e no Legislativo, convencer o Conselho Nacional de Educação a incluir orientação sexual e identidade de gênero novamente na BNCC, denunciar toda e qualquer forma de discriminação, participar das etapas municipal, estadual e nacional das Conferências de Educação. Os currículos dos cursos de formação inicial de professores/as (graduação) precisam ter conteúdos específicos sobre o respeito à diversidade sexual, com formação continuada para profissionais de educação, para que estejam preparados/as para acolher efetivamente os/as estudantes LGBTI e agir diante dos problemas que surgem nas escolas.
Materiais pedagógicos baseados em evidências (para professores/as e estudantes) precisam ser elaborados, disponibilizados e utilizados nas escolas para promover o respeito a todos e a todas, sem distinção de qualquer característica pessoal. Isto deve ocorrer de forma transversal, com base na educação em direitos humanos. Além disso, deve haver supervisão regular das práticas de ensino para garantir que os conteúdos curriculares sobre a promoção do respeito à diversidade sexual sejam implementados efetivamente.
Por último, porém não menos importante, uma campanha precisa ser veiculada nos meios de comunicação para sensibilizar sobre os efeitos da discriminação e do bullying contra estudantes LGBTI.

Conheça as atividades do projeto It Gets Better Brasi lhttps://www.facebook.com/itgetsbetterbrasil/ 


Leia também o Boletim da Campanha  ANA